O Sistema Brasileiro de Classificação de Solos atual
foi desenvolvido pelo Centro Nacional de Pesquisa de Solos (CNPS), da EMBRAPA,
com a colaboração de pesquisadores de diversas universidades e instituições de
pesquisa espalhadas pelo país (EMBRAPA, 1999).
O Sistema Brasileiro de Classificação
de Solos é um sistema de classificação natural ou taxonômica, organizando os
solos a partir de características comuns em diversos níveis hierárquicos. Sua
estruturação é na forma de categorias múltiplas com estrutura hierárquica
descendente, subdivididas em classes. Para tal, o sistema baseia-se em horizontes diagnósticos e atributos ou propriedades diagnósticas, que constituem as características
diferenciais.
O 1o
nível categórico (Ordens) leva em conta a presença ou ausência de atributos ou
horizontes diagnósticos que refletem o tipo e grau de desenvolvimento dos
processos que atuaram na formação do solo. Ex.: Argissolo - solo com B textural com argila de atividade baixa.
O 2o
nível categórico (Subordens) considera propriedades ou características
diferenciais que refletem a atuação de outros processos de formação que agiram
junto ou que afetaram os processos dominantes, ou que são responsáveis pela
ausência de horizontes diagnósticos, ou ainda que representam variações
importantes dentro das ordens. Ex.: Argissolo Vermelho-Amarelo -
Argissolo com matiz 5YR ou mais vermelho e mais amarelo que 2,5YR na maior
parte dos primeiros 100 cm do horizonte B (inclusive BA).
O 3o
nível (Grandes Grupos) leva em consideração o tipo e arranjamento dos
horizontes, ou a atividade da argila ou a condição de saturação do complexo
sortivo (bases, alumínio, sódio e/ou sais solúveis), ou ainda a presença de
horizontes ou de propriedades que restringem o desenvolvimento das raízes ou
que afetem o movimento da água no solo. Ex. Argissolo Vermelho-Amarelo
Distrófico
O 4o
nível (Subgrupos) representa o conceito central da classe (típico), ou
características intermediárias ou extraordinárias. Ex.: Argissolo
Vermelho-Amarelo Distrófico abrúptico – com mudança textural abrupta.
O 5o
nível (Famílias) designa, em seqüência, conforme necessidade: grupamento
textural, presença de cascalhos e concreções, constituição esquelética, tipo de
horizonte A, mineralogia, saturação por bases e alumínio, teor de ferro, etc
(Embrapa, 1999, p291-300). Ex.: Argissolo Vermelho-Amarelo Distrófico
abrúptico, textura média/argilosa, A moderado.
O 6o
nível (Séries) são subdivisões da família, para utilização em levantamentos
detalhados, relacionadas principalmente a características que afetem o uso do
solo, como relações solo-água-planta e para finalidades de engenharia e
geotécnica. Devem ser usados nomes próprios relacionados à região de ocorrência
dos solos. No Brasil, a série de solos nunca foi utilizada formalmente.

Figura 7.1. Representação
esquemática dos diferentes níveis categóricos de um solo.
A representação da classe de solo, acompanhada pelo
respectivo símbolo utilizado na legenda de identificação do solo em um mapa, é
feita, por exemplo, da seguinte forma:
PVAd1 - ARGISSOLO VERMELHO-AMARELO Distrófico abrúptico,
textura média/argilosa, A moderado fase relevo ondulado.
a. Símbolo: PVAd1, conforme Embrapa (1999, p. 383), onde P representa
Argissolo, o VA Vermelho-Amarelo e o “d” Distrófico. O número serve para
separar unidades no mapeamento de solos da mesma classe até esse nível, que
diferenciam-se nos níveis categóricos abaixo (ou fases).
b. Classe de solo no 1o e 2o
níveis categóricos em caixa alta, no 3o nível com a primeira letra
maiúscula e no 4o nível em minúscula.
c. Classe de solo no 5o nível
(família) mostrando o grupamento textural (média no horizonte A e argilosa no
horizonte B) e o tipo de horizonte A (A moderado) (nesse caso).
d. Fase de relevo: ondulado
As fases de vegetação, relevo,
pedregosidade ou rochosidade, erosão e substrato (Embrapa, 1999; p. 303) são
utilizadas para se obter classes taxonômicas mais homogêneas, necessárias no
caso de levantamentos de solos mais detalhados ou para prover informações
adicionais de interesse a classificações técnicas ou interpretativas. Podem ser
utilizadas em qualquer nível categórico, desde subordens até séries.
Dessa forma, a partir da classificação do solo,
pode-se obter uma série de informações de suas características internas, bem
como do ambiente em que ele está inserido. No presente caso, foi utilizada
somente a fase de relevo, sendo que as informações a respeito da vegetação,
pedregosidade, rochosidade, uso atual dos solos e substrato, entre outras,
podem ser encontradas na descrição geral do perfil no relatório do levantamento
pedológico.
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