Introdução
O capim mais utilizado para formação de pastagem na Zona Bragantina é o quicuio-da-amazônia (Brachiaria humidicola),
cuja produção de forragem é baixa e de qualidade inferior,
especialmente no período seco. Isso impede se obter uma produtividade
elevada de leite. Para minimizar esse problema, uma das alternativas
freqüentemente usada pelos produtores é a capineira, para produção de
forrageira de corte. A produção e o valor nutritivo de forrageiras de
corte dependem de vários fatores, entre os quais o tipo de forrageira
(espécie ou variedade), as condições climáticas e de solo, e o manejo de
corte, especialmente à idade da rebrota.
Formação da capineira
Localização
A capineira deve ser plantada às
proximidades do local de fornecimento aos animais (estábulo, curral,
etc.), para facilitar o transporte e as operações de manutenção,
diminuindo os custos. Os solos mais recomendados são os bem drenados e
profundos, evitando-se aqueles excessivamente arenosos ou pedregosos.
Escolha da forrageira
Deve ser adaptada ao clima e ao
solo do local e apresentar uma produção forrageira de alta qualidade,
inclusive na estação seca. Entre as gramíneas de corte mais plantadas
na formação de capineira na região, destacam-se os capins elefante,
napier e cameron (Pennisetum purpureum). O cameron tem as
linhagens verde ou roxo. São plantas de porte alto e robusto, com folhas
de mais de 1 m de comprimento e 5 cm de largura, em média. O cameron é
a mais plantada, por sua alta produção de forragem de razoável valor
nutritivo, quando devidamente manejada (Veiga et al.1988).
O capim-tobiatã (Panicum maximum), embora de menor porte que os cultivares de P. purpureum,
é outra alternativa para formação de capineira. Formando touceiras
bastante vigorosas, essa gramínea, que também pode ser usada para
pastejo, pode atingir até 3 m de altura, com folhas de até 80 cm de
comprimento e 4,5 cm de largura, apresentando uma coloração verde
escura (Simão Neto et al. 1992).
Área da capineira
Logicamente, área da capineira
vai depender da forrageira e do número de vacas a serem suplementadas.
Para calcular a área da capineira, consideram-se as seguintes
condições:
- A área da capineira atenderá 25% do consumo diário das vacas (a pastagem fornecerá os 75% restantes).
- Forragem verde com 25% de matéria seca.
- Vaca com 450 kg de peso vivo.
- Consumo total diário de
forragem verde das vacas é 10% do peso vivo ou seja 45 kg/vaca/dia.
Logo, a fração do consumo total diário de forragem verde a ser suprida
pela capineira é de 11,2 kg (25% de 45 kg).
- Consumo anual de forragem verde de uma vaca é 11,2 kg x 365 dias = 4.088 kg.
- Períodos em que se fará a suplementação das vacas: o ano todo e de agosto a dezembro.
- Produção forrageira do período de agosto a dezembro (verão) 20% menor que a produção do ano inteiro.
a) Caso da capineira de capim elefante, napier e cameron
Neste caso, considerando um
intervalo de corte de 42 dias, a produção anual de forragem será de
120 t de forragem verde, por hectare.
Dessa forma, na Tabela 1 é
encontrado o resultado dos cálculos da área da capineira de elefante,
napier e cameron, por número de vacas a ser suplementadas.
| Tabela 1. Área da capineira de capim elefante, napier e cameron, por número de vacas a serem suplementadas. | ||||||||
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| Fonte: Embrapa Amazônia Oriental | ||||||||
b) Caso da capineira de capim-tobiatã
Neste caso, considerando um
intervalo de corte de 42 dias, a produção anual de forragem será de 80
t de forragem verde, por hectare.
Na Tabela 2, é encontrado o
resultado dos cálculos da área da capineira de capim-tobiatã, por
número de vacas a serem suplementadas.
| Tabela 2. Área da capineira de capim-tobiatã por número de vacas a serem suplementadas. | ||||||||
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| Fonte: Embrapa Amazônia Oriental | ||||||||
Preparo da área
Tanto para os capins elefante,
napier e cameron, como para o capim-tobiatã, a área deve ser preparada
no final do período seco (novembro a dezembro), por meio da limpeza
da vegetação, aração e gradagem ou simplesmente gradagem (grade
aradora e niveladora) do solo. Caso a vegetação original necessite ser
derrubada, a operação seguinte deve ser a destoca, antes do preparo do
solo.
Plantio
a) Capineira de capim elefante, napier e cameron
O plantio deve ser feito logo
após as primeiras chuvas. O material de propagação é o colmo (não se
usa sementes). Para assegurar maior índice de pega, os colmos do capim
devem ser retirados de plantas matrizes com rebrote de 90 a 120 dias.
Plantio com estacas, em covas - A
planta é desfolhada e os colmos são cortados em estacas de três a
quatro nós. Cada planta inteira pode produzir de 7 a 10 estacas. Em
cada cova, de 15 a 20 cm de profundidade, plantam-se duas estacas,
inclinadas em forma de "V" (Fig. 1)
Ilustração:
Guilherme Azevedo ![]() |
O
espaçamento pode ser em distribuição uniforme, de 1,00 ou 1,20 x 0,50
m, ou em linhas duplas, afastadas de 1,0 m, sendo o espaçamento nas
linhas de 0,40 x 50 cm (Fig. 2).
Ilustração:
Guilherme Azevedo![]() |
Plantio com estacas ou colmos inteiros, em sulcos -
As estacas ou os colmos inteiros são plantados longitudinalmente, um
após outro, distanciados 10 cm entre si, em sulcos de profundidade de
10 cm. A distância entre sulcos pode ser de 1m. Os sulcos podem ser em
linhas duplas, como no caso de plantio com estacas (Fig. 3).
Ilustração:
Guilherme Azevedo![]() |
Espaçamento entre estacas nos sulcos 0,10 m.
b) Capineira de capim-tobiatã
No caso de capineira de
capim-tobiatã, recomenda-se o plantio por semente, na quantidade de 8 a
10 kg/ha, plantadas em linhas duplas, obedecendo ao mesmo espaçamento
dos capins elefante, napier e cameron.
Tratos culturais
Tanto para os capins elefante,
napier e cameron como para o capim-tobiatã, o controle das plantas
daninhas deve ser realizado aproximadamente na quarta semana após o
plantio, de forma manual, com enxada, ou mecanizada, com microtrator,
com enxada rotativa ou cultivador.
Espaçamento entre estacas nos sulcos 0,10 m.
b) Capineira de capim-tobiatã
No caso de capineira de
capim-tobiatã, recomenda-se o plantio por semente, na quantidade de 8 a
10 kg/ha, plantadas em linhas duplas, obedecendo ao mesmo espaçamento
dos capins elefante, napier e cameron.
Tratos culturais
Tanto para os capins elefante,
napier e cameron como para o capim-tobiatã, o controle das plantas
daninhas deve ser realizado aproximadamente na quarta semana após o
plantio, de forma manual, com enxada, ou mecanizada, com microtrator,
com enxada rotativa ou cultivador.
Ilustração:
Guilherme Azevedo ![]() |
Altura de corte
Os capins elefante, napier e
cameron devem ser cortados ao nível do solo, ou até a 10-15 cm acima
(Fig. 5) , com terçado, foice ou máquina ensiladeira. No caso do
capim-tobiatã, a altura de corte deve ser em torno de 20 cm acima do
solo.
Adubação de manutenção
Essa adubação pode ser anual ou a cada 2 anos, conforme a intensidade da exploração.
Foto: Ari Camarão![]() |
a) Química
Podem ser utilizadas as mesmas
quantidades aplicadas na formação da capineira, em três aplicações
durante o ano, a lanço, sobre as touceiras, logo após um corte.
b) Orgânica
É feita aplicando-se o esterco
de curral num máximo de 50 t/ha/ano. O esterco pode ser tanto normal
(pastoso e curtido) como na forma líquida, quando coletado na água de
lavagem do estábulo. Deve ser distribuído sobre as touceiras
recém-cortadas, logo após cada corte.
Produção e qualidade da forragem
Ao contrário do valor nutritivo
da forragem de uma capineira (expressa por proteína bruta ou
digestibilidade, por exemplo), a produção de forragem diminui em
intervalos de corte mais curtos e aumenta nos mais longos.
a) Capineira de elefante, napier e cameron
Pesquisas têm mostrado que as
capineiras desses capins podem produzir de 120 a 160 t de forragem
verde/ha/ano, dependendo, principalmente, da reposição de nutrientes
ao solo e das condições climáticas. Aos 28 e 56 dias, os teores de
proteína bruta da folha têm variado de 15% a 17% e 10% a 13%,
respectivamente. Já a digestibilidade "in vitro" da matéria orgânica
da folha, nas mesmas idades, variaram de 61% a 63% e 54% a 56%,
respectivamente (Veiga e Camarão, 1990).
b) Capineira de capim-tobiatã
A capineira de capim-tobiatã tem
potencial para produzir de 40 a 112 t de forragem verde/ha/ano,
conforme a intensidade de corte (Simão Neto et al. 1992). Em
intervalos de corte mais curtos (por exemplo 28 dias), o teor de
proteína bruta chega a 14% da matéria seca da folha; em intervalos
mais longos (por exemplo 84 dias), o teor de proteína alcança apenas 7%.
Fornecimento aos animais
A forragem colhida deve ser
triturada em partículas de 1 a 2 cm e fornecida fresca aos animais,
separadamente ou juntamente com a ração concentrada.
Resposta animal
Ao longo do ano, o fornecimento
de forragem de capineira é uma valiosa suplementação de vacas em
regime de pastagem de baixa a média qualidade. Capineiras cortadas a
intervalos menores, até 35 dias, no caso dos capins elefante, napier e
cameron, e até 28 dias, no caso do capim-tobiatã, evitam a queda da
produção de leite no período seco, época em que normalmente cai a
performance das pastagens





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